Zerezes-Ipanema_BMM_14-1240×1680
Updated: April 9, 2026
Nesta semana, a Zerezes concluiu um passo importante em sua trajetória: a inauguração de uma flagship e de um novo escritório na Rua Garcia d’Ávila, no Rio de Janeiro. A abertura e a localização são simbólicas do posicionamento da marca de óculos e de suas ambições.
O endereço, no bairro de Ipanema, já foi conhecido por concentrar lojas de grandes grifes internacionais. Hoje, os inquilinos são etiquetas que viraram emblemas da moda brasileira. A vizinha de porta é a Farm (a Farm Etc, para ser mais preciso). Depois vem a Granado, a Dengo, do outro lado da rua está a Sauer e, mais adiante, a Misci.
Durante um tour pelo espaço, na manhã de terça-feira (07.04), os sócios Rodrigo Latini e Luiz Rocha ressaltaram algumas vezes a importância e o orgulho de fazer parte dessa vizinhança. Referências brasileiras – sobretudo ao modernismo brasileiro – sempre fizeram parte do repertório da Zerezes, só demorou um tanto para serem entendidas e tratadas como um diferencial.

A história começa 14 anos atrás, com um projeto de faculdade dos amigos Luiz Rocha e Hugo Galindo (os sócios-fundadores), ambos formados em design pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). A ideia era criar um produto distinto do que já havia no mercado e alinhado às tendências de comportamento e consumo em ascensão. O resultado foram óculos de sol feitos de madeira reaproveitada. E as pessoas gostaram.
No boca a boca, o negócio engrenou. As peças eram feitas em pouquíssima quantidade, muitas vezes no laboratório de prototipagem do curso, sem recurso e/ou investimento externo. Até que em 2014, a Farm fez um pedido de 150 modelos. Com o dinheiro da compra, a exposição e a chancela, o empreendimento deslanchou. Foi nessa época que veio o primeiro ponto de venda físico: uma loja temporária – que acabou virando permanente – junto à etiqueta de calçados Odde no Fashion Mall.
“A gente sabia que a madeira que nos deu tanta projeção era uma tendência e uma hora esse interesse iria diminuir”, diz Luiz. Para continuar crescendo, explica ele, era necessário expandir o repertório. Rodrigo (amigo de infância de Hugo) entrou na sociedade nessa época. Em 2017, um ano depois da sua chegada, a Zerezes abriu sua primeira loja própria e individual, no centro do Rio de Janeiro.
A expansão no varejo foi acelerada. A alta demanda também incentivou o trio a estudar com mais atenção o mercado de óticas. Foi aí que eles perceberam a oportunidade de explorar os óculos de receituário como acessórios de moda. Ao descomplicar o atendimento, simplificar a oferta e reduzir os custos de produção das lentes, a marca quer mudar a percepção e a relação das pessoas com tais itens. A ideia é poder trocar de óculos assim como trocamos de roupa. De acordo com nosso humor, look ou ocasião.

Encontrar um denominador comum para um catálogo em constante expansão não foi exatamente difícil. “Sempre soubemos o que faz sentido para o nosso estilo”, fala Rodrigo. Apesar das inovações, alguns elementos são perenes: os formatos considerados (nem pequenos, nem grandes demais); o equilíbrio entre geometria e organicidade; as tonalidades suaves das lentes (puxadas para verdes, marrons e amarelos); as cores fechadas ou neutras das armações.
O foco, até então, era se posicionar como um agente de moda. Na vitrine da loja, está escrito “até dói chamar de ótica”. Colaborações com criadores e grifes do meio não foram poucas. Em paralelo, rolaram parcerias com instituições culturais, como o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp). O que faltava era um entendimento nítido do que tudo isso representa.
Não mais: “A abertura dessa flagship marca um momento muito claro de maturidade da Zerezes”, fala Rodrigo. “Hoje, temos mais clareza sobre o que o nosso design comunica: não apenas estética, mas cultura, repertório e identidade.” E os planos futuros pretendem reforçar tal posicionamento com bastante ênfase.
Luigi Torre viajou ao Rio de Janeiro a convite da Zerezes.






